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Paradoxo do Labirinto — Recursividade

Sabe?… Os sonhos, às vezes, nos dizem algo. Às vezes não se trata só de informação cotidiana sendo processada. Nem desejos, ilusões, nem mesmo do arquétipo do subconsciente coletivo.
Às vezes, simplesmente, são memórias. Existem memórias do passado distante, de ontem, de hoje, e há memórias do futuro também.
Tem uma memória que quero lhe contar. Lembrei há pouco tempo… ou a memória se lembrou de mim.

Uma noite, acordei… E estava dentro de um labirinto, tudo era empoeirado, uma poeira de um marrom escuro, o chão, as paredes, o céu. O céu tinha grandes nuvens pesadas, como concreto, mas de igual tonalidade, marrom. Parecia que o sol estava no horizonte, pronto para se esconder, aquele crepúsculo eterno, que nunca se realizava. Não era possível ver o sol, pois as paredes tinham mais de trinta metros de altura. Acima das paredes pairava uma rede elétrica, com seus postes e torres com seus emaranhados confusos.
O caminho era largo também, provavelmente a mesma largura da altura das paredes.
Por ali eu caminhei, procurando primeiro conhecer o local. Ousei um: — olá, tem alguém ai?
Logo comecei a me preocupar, pois sabia que era um sonho, mas não conseguia acordar. Sentia que deveria achar uma forma de sair.
Tentei escalar pelas pedras das paredes, mas não era possível. Então achei uma entrada para baixo, um tipo de subsolo. Desci com cuidado suas escadas largas, cada degrau tinha mais de três metros de largura e um de altura, fiquei imaginando que tipo de gigante precisaria de tal degrau.
Desci para a escuridão, logo comecei a ver uma luz, pensei que fosse uma tocha, mas não, era apenas uma passagem de iluminação do solo acima de minha cabeça.
Mas o que encontrei era mais estranho ainda. Comecei a ouvir pequenos múrmuros, eu já estava ali há horas, e era o primeiro som que ouvia. Continuei caminhando, e tropecei…
Por todo o lado havia corpos, sons, gemidos. Havia pessoas ali, virando pó, secando.
Corri de volta para a superfície.
Algumas horas de caminhada se passaram, naquele deserto de paredes, aquele zumbido do silencio estava me enlouquecendo. Deitei, e logo dormi.
Acordei com uma sensação estranha, como se o chão estivesse se movendo. Mas era eu. Alguma coisa me arrastava pelo pé.
Foi quando me lembrei que isto já havia acontecido…

Sabe?… Os sonhos, às vezes, nos dizem algo. Às vezes não se trata só de informação cotidiana sendo processada. Nem desejos, ilusões, nem mesmo do arquétipo do subconsciente coletivo.

Às vezes, simplesmente, são memórias. Existem memórias do passado distante, de ontem, de hoje, e há memórias do futuro também.